sábado, 20 de dezembro de 2014

Deep In Soul

Capítulo 5
14 de Julho - Sábado

- Namorada? Chandler, por favor me explica isso direito.
- Calma Mary, já te explico. Aline, pode nos dar licença?
- O que aconteceu, Chandlerzinho? Sua irmã não sabia da gente?
- Irmã? - eu disse elevando a voz - Olha aqui mais respeito comigo!
- Quem você acha que é pirralha? Volta pro berçário! - e nisso começou a beijar o Chandler.
Fiquei chocada, não aguentei, saí do café correndo e chorando ao mesmo tempo.
Cheguei em casa e parecia que um tornado tinha passado por lá. A mesa da cozinha estava em pedaços, o chão com marcas de arma, as paredes destruídas. Chamei minha mãe, nada. Chamei de novo, nada. Vasculhei a casa inteira e nenhum sinal dela. Tentei ligar para a polícia, mas o telefone não estava funcionando e meu celular tinha acabado a bateria. Só me restava chorar mesmo. Perdi minha mãe, minha casa e o Chandler tinha me feito de boba. Ótimo.
Ouvi um barulho estranho, como um rastejar. Vi um vulto vermelho também. Resolvi correr para a cozinha e pegar uma faca. De repente uma criatura escamosa, vermelha como sangue começou a rastejar, subindo a bancada destruída da cozinha. Era uma espécie de cobra, mas não era uma cobra comum, ela era diferente de todas que eu já tinha visto. Ela era inteira vermelha, mas tinha uns símbolos pretos estranhos em seu corpo e mesmo sendo comprida, se movimentava extremamente rápido. Ela tentou dar o bote em mim, mas eu consegui desviar. Tentei acertá-la com a faca, arremessando-a mas errei. Eu estava desarmada e a cobra estava se preparando para dar o bote final. De repente a porta bate, e aparece a última pessoa que eu queria ver naquela hora, Chandler. A cobra se distrai com a batida da porta e eu aproveito para pegar outra faca. Aproveitei que o animal estava distraído e enterrei a faca em seu corpo. Eu não tinha comido nada desde de manhã, e com toda aquela adrenalina, comecei a ver tudo borrado. Só me lembro de algumas vozes ao fundo e o som de uma sirene.
Acordei em um local branco, deitada em uma cama. Ouvi a enfermeira chamar um nome familiar, e vi uma pessoa correndo em minha direção. Era o Chandler, ótimo.
- Ah graças a Deus, você está bem. Você ficou desmaiada por 8 horas.
- O quê? Oito horas? E você? O que está fazendo aqui?
- Calma. Depois que eu entrei na sua casa, vi que tinha um bicho perto de você. Imediatamente liguei para a polícia e fui tentar te ajudar. Mas vi que logo depois de você acertar a cobra, você desmaiou. Achei que a cobra tinha conseguido dar o bote, por isso te peguei no colo e a polícia chegou bem na hora. Eles me deram carona para o hospital e os médicos foram te examinar. Me mandaram esperar na recepção e disseram que iriam me avisar quando você acordasse.
- Ah. - eu estava sem palavras, ele tinha me salvado - Muito obrigada por... anh... me salvar. Pode ir embora agora, vou ficar bem.
- Mas Mary...
- Não me chame assim! - gritei - Por favor... Você não tem direito de falar assim comigo. - falei mais calma.
- Mary... Marilyn calma, eu posso explicar.
- Não começa Chandler, por favor...
- Marilyn! Por favor me escuta.
Resolvi escutá-lo, já que eu não podia fazer nada mesmo.
- A Aline já foi minha namorada, namoramos por um bom tempo acho que foi por mais ou menos um ano. Mas, um dia eu quis terminar e ela não superou isso. Por isso toda vez que ela me vê com alguém do sexo oposto ela diz para a pessoa que está comigo que é minha namorada, só para estragar a minha chance com outras garotas. Espero que você entenda porque todas as vezes que eu tentei explicar para outras namoradas minhas elas não acreditaram, disseram que eu me pagava de mulherengo e era um cafajeste. Mas ela nunca fez algo de me beijar na frente de alguma namorada minha, acho que ela viu que existia alguma coisa muito forte entre a gente e ela faria custe o que custasse para nos separar. Por favor tente entender Mary, eu realmente gosto muito de você.
"Namorada" eu não conseguia parar de pensar nessa palavra. Acho que eu deveria dar uma chance para ele. Ele realmente gostava de mim. Era uma completa maldade o que aquela nojenta da ex namorada dele fazia. Ela estragava todas as chances dele com alguma garota.
- Tudo bem. Eu entendo. Acho muito maldoso da parte da Aline fazer isso, mas fazer o que né? Não existem muitas pessoas boas nesse mundo, é uma pena que isso seja verdade. Mas de agora em diante quero que você seja completamente honesto comigo, ok?
- Pode deixar, vou ser totalmente honesto com você.
E me beijou. Muito intensamente, do jeito que eu gostava. O medidor de batimentos cardíacos começou a apitar e nós dois começamos a rir muito.
Chandler chamou a enfermeira para checar se eu já poderia ir para casa. Ela me examinou e disse que eu estava, só precisava me alimentar bem.
Estávamos saindo do hospital quando me caiu a ficha.
- E agora onde eu vou ficar? - pensei alto
- Oi?
- Não nada.
- Fala.
- É porque a minha casa está destruída. Eu não tenho onde ficar.
- E sua família?
- Meu pai e meu irmão estão fora da cidade, vão ficar lá por mais ou menos um mês. E a minha mãe desapareceu. Quando cheguei em casa ela estava destruída e só tinha aquela cobra horrorosa, mais ninguém.
- Temos que ir para a delegacia então. Para fazer um mandado de busca.
- Tudo bem então. Vamos lá.
Chegamos na delegacia e falamos com a recepcionista. Ela disse para esperarmos pois os policiais viriam logo.
Quando os policiais chegaram, nos levaram até uma sala e começaram a fazer algumas perguntas como: o relato de como estava a casa quando cheguei, qual foi a última vez que vi a minha mãe, onde eu morava, o nome da minha mãe, o nome e telefone do meu pai, quantos anos eu tinha e em que escola estudava. E por último perguntou o que o Chandler era meu. Hesitei nessa parte. Olhei para ele que assentiu com a cabeça.
- Chandler é meu namorado.
Fomos embora e Chandler pareceu que leu meu pensamento.
- Se você quiser, pode ficar lá em casa.
- Seus pais não vão se incomodar?
- Eu moro sozinho. Tenho um apartamento ali no centro da cidade. É pequeno, mas cabe para duas pessoas.
- Claro.
- Você se importa de ir andando? É aqui pertinho, mas se quiser eu te carrego. Faço esse graande esforço.
- Calma, se eu desmaiar já sei que você vai estar aqui.