sexta-feira, 6 de março de 2015

Deep In Soul

Capítulo 6
14 de Julho - Sábado

Para um cara que morava sozinho o apartamento dele era bem organizado. Acho que mais organizado que o meu quarto. Ele perguntou se eu precisava de alguma coisa. Eu neguei. Me mostrou o resto do imóvel e por fim me mostrou o quarto.
- Olha, se você quiser ficar mais confortável, eu durmo no sofá da sala e você pode ficar com a cama.
- Tudo bem. - Falei baixinho
Reparei que a cama era de casal, provavelmente já deveria ter levado várias namoradas naquele apartamento. Namorada. Ainda não estava acreditando naquela palavra.
- Chandler, posso te fazer uma pergunta?
- Pode, claro. - ele sentou na beirada da cama, eu sentei também.
- Por que você mora sozinho? - ele hesitou e eu vi que aquela era uma pergunta muito pessoal para ele. - Quer dizer, você tem quinze anos, não é meio novo? Olha, desculpa, não deveria ter perguntado isso.
- Não, não. Tudo bem. Eu moro sozinho porque meus pais me mandaram aqui para estudar, e como tem que manter os seus empregos lá na minha cidade, não puderam vir junto. Então conseguiram uma autorização para que um menor morasse sozinho em outra cidade. Foi bem difícil convencer o pessoal lá do conselho tutelar, mas eles concordaram que, de quinze em quinze dias, um dos tutores iria ver como está o apartamento e dormiria uma noite aqui. E isso foi ontem, então a próxima visita é só daqui a duas semanas.
Eu estava meio pasma. Ele morava aqui desde o ano passado. Eu não conseguiria me mudar para outra cidade com quatorze anos, nem muito menos sozinha.
- Mas você não visita os seus pais?
- Visito. Geralmente em grandes feriados como páscoa e natal, mas vou nas férias também.
Ficamos quietos por um tempo.
- Você não quer tomar um banho enquanto eu peço o jantar? - ele disse.
- Pode ser. - eu disse pensando que ele queria somente que eu tomasse banho para me ver nua, mas depois de um tempo, percebi que ele estava realmente preocupado, e percebi também que eu estava bem suja.
Ele me deu uma toalha, um pijama e me mostrou o banheiro. Depois de uns quinze minutos eu estava já saindo do chuveiro quando senti um aroma que eu não sentia a muito tempo. Comida chinesa. Quando saí do banheiro, ele tinha acabado de começar a por a mesa.
- Vai tomar um banho. Deixa que eu ponho a mesa.
Ele assentiu. Estava muito cansado.
Quando terminei de colocar a mesa ele saiu do banho. Comemos, e a comida estava maravilhosa. Quando terminamos, eu tirei a mesa e ele colocou as louças na pia. Quando fui me deitar, vi que Chandler estava começando a colocar a roupa de cama no sofá. Deitei-me. Fui pensando em como ele iria dormir mal, já que seus pés ficavam para fora do móvel. De repente me senti tão sozinha. Tomei um pensamento involuntário e o chamei. Nada de resposta. Provavelmente já deveria estar dormindo. Chamei-o de novo só para ter certeza. O apartamento inteiro estava escuro, mas vi a sua silhueta perfeita atravessar a porta.
- Está tudo bem? - ele perguntou
- Mais ou menos. Não estou conseguindo dormir.
Ele chegou mais perto.
- Marilyn, está mesmo tudo bem?
- Não, - falei baixinho - eu estou com medo. Imaginando o que pode ter acontecido com a minha mãe. Quem sequestrou ela? Quem deixou a casa daquele jeito? Fico me perguntando isso.
- Quer que eu deite junto com você?
Eu assenti com a cabeça.
- Sabe, se faz te sentir mais especial, você foi a primeira namorada que já visitou o meu apartamento.
- Sério? - nós dois estávamos sussurrando.
Ele fez que sim com a cabeça.
Dessa vez, quem o beijou fui eu. Senti nossos corpos se tocarem, o dele quente e acolhedor. Ficamos abraçados, assim até o sono consumir meu corpo.
                                                               *********
Reparei que ela tinha adormecido. Aquela bela menina, aconchegada em meus braços. A cabecinha dela encostada sobre o meu peito, e seu pequeno corpo encolhido. Fiquei pensando se deveria contar à ela, se contaria sobre sua mãe. Sobre o meu segredo. O meu e o dela.

sábado, 20 de dezembro de 2014

Deep In Soul

Capítulo 5
14 de Julho - Sábado

- Namorada? Chandler, por favor me explica isso direito.
- Calma Mary, já te explico. Aline, pode nos dar licença?
- O que aconteceu, Chandlerzinho? Sua irmã não sabia da gente?
- Irmã? - eu disse elevando a voz - Olha aqui mais respeito comigo!
- Quem você acha que é pirralha? Volta pro berçário! - e nisso começou a beijar o Chandler.
Fiquei chocada, não aguentei, saí do café correndo e chorando ao mesmo tempo.
Cheguei em casa e parecia que um tornado tinha passado por lá. A mesa da cozinha estava em pedaços, o chão com marcas de arma, as paredes destruídas. Chamei minha mãe, nada. Chamei de novo, nada. Vasculhei a casa inteira e nenhum sinal dela. Tentei ligar para a polícia, mas o telefone não estava funcionando e meu celular tinha acabado a bateria. Só me restava chorar mesmo. Perdi minha mãe, minha casa e o Chandler tinha me feito de boba. Ótimo.
Ouvi um barulho estranho, como um rastejar. Vi um vulto vermelho também. Resolvi correr para a cozinha e pegar uma faca. De repente uma criatura escamosa, vermelha como sangue começou a rastejar, subindo a bancada destruída da cozinha. Era uma espécie de cobra, mas não era uma cobra comum, ela era diferente de todas que eu já tinha visto. Ela era inteira vermelha, mas tinha uns símbolos pretos estranhos em seu corpo e mesmo sendo comprida, se movimentava extremamente rápido. Ela tentou dar o bote em mim, mas eu consegui desviar. Tentei acertá-la com a faca, arremessando-a mas errei. Eu estava desarmada e a cobra estava se preparando para dar o bote final. De repente a porta bate, e aparece a última pessoa que eu queria ver naquela hora, Chandler. A cobra se distrai com a batida da porta e eu aproveito para pegar outra faca. Aproveitei que o animal estava distraído e enterrei a faca em seu corpo. Eu não tinha comido nada desde de manhã, e com toda aquela adrenalina, comecei a ver tudo borrado. Só me lembro de algumas vozes ao fundo e o som de uma sirene.
Acordei em um local branco, deitada em uma cama. Ouvi a enfermeira chamar um nome familiar, e vi uma pessoa correndo em minha direção. Era o Chandler, ótimo.
- Ah graças a Deus, você está bem. Você ficou desmaiada por 8 horas.
- O quê? Oito horas? E você? O que está fazendo aqui?
- Calma. Depois que eu entrei na sua casa, vi que tinha um bicho perto de você. Imediatamente liguei para a polícia e fui tentar te ajudar. Mas vi que logo depois de você acertar a cobra, você desmaiou. Achei que a cobra tinha conseguido dar o bote, por isso te peguei no colo e a polícia chegou bem na hora. Eles me deram carona para o hospital e os médicos foram te examinar. Me mandaram esperar na recepção e disseram que iriam me avisar quando você acordasse.
- Ah. - eu estava sem palavras, ele tinha me salvado - Muito obrigada por... anh... me salvar. Pode ir embora agora, vou ficar bem.
- Mas Mary...
- Não me chame assim! - gritei - Por favor... Você não tem direito de falar assim comigo. - falei mais calma.
- Mary... Marilyn calma, eu posso explicar.
- Não começa Chandler, por favor...
- Marilyn! Por favor me escuta.
Resolvi escutá-lo, já que eu não podia fazer nada mesmo.
- A Aline já foi minha namorada, namoramos por um bom tempo acho que foi por mais ou menos um ano. Mas, um dia eu quis terminar e ela não superou isso. Por isso toda vez que ela me vê com alguém do sexo oposto ela diz para a pessoa que está comigo que é minha namorada, só para estragar a minha chance com outras garotas. Espero que você entenda porque todas as vezes que eu tentei explicar para outras namoradas minhas elas não acreditaram, disseram que eu me pagava de mulherengo e era um cafajeste. Mas ela nunca fez algo de me beijar na frente de alguma namorada minha, acho que ela viu que existia alguma coisa muito forte entre a gente e ela faria custe o que custasse para nos separar. Por favor tente entender Mary, eu realmente gosto muito de você.
"Namorada" eu não conseguia parar de pensar nessa palavra. Acho que eu deveria dar uma chance para ele. Ele realmente gostava de mim. Era uma completa maldade o que aquela nojenta da ex namorada dele fazia. Ela estragava todas as chances dele com alguma garota.
- Tudo bem. Eu entendo. Acho muito maldoso da parte da Aline fazer isso, mas fazer o que né? Não existem muitas pessoas boas nesse mundo, é uma pena que isso seja verdade. Mas de agora em diante quero que você seja completamente honesto comigo, ok?
- Pode deixar, vou ser totalmente honesto com você.
E me beijou. Muito intensamente, do jeito que eu gostava. O medidor de batimentos cardíacos começou a apitar e nós dois começamos a rir muito.
Chandler chamou a enfermeira para checar se eu já poderia ir para casa. Ela me examinou e disse que eu estava, só precisava me alimentar bem.
Estávamos saindo do hospital quando me caiu a ficha.
- E agora onde eu vou ficar? - pensei alto
- Oi?
- Não nada.
- Fala.
- É porque a minha casa está destruída. Eu não tenho onde ficar.
- E sua família?
- Meu pai e meu irmão estão fora da cidade, vão ficar lá por mais ou menos um mês. E a minha mãe desapareceu. Quando cheguei em casa ela estava destruída e só tinha aquela cobra horrorosa, mais ninguém.
- Temos que ir para a delegacia então. Para fazer um mandado de busca.
- Tudo bem então. Vamos lá.
Chegamos na delegacia e falamos com a recepcionista. Ela disse para esperarmos pois os policiais viriam logo.
Quando os policiais chegaram, nos levaram até uma sala e começaram a fazer algumas perguntas como: o relato de como estava a casa quando cheguei, qual foi a última vez que vi a minha mãe, onde eu morava, o nome da minha mãe, o nome e telefone do meu pai, quantos anos eu tinha e em que escola estudava. E por último perguntou o que o Chandler era meu. Hesitei nessa parte. Olhei para ele que assentiu com a cabeça.
- Chandler é meu namorado.
Fomos embora e Chandler pareceu que leu meu pensamento.
- Se você quiser, pode ficar lá em casa.
- Seus pais não vão se incomodar?
- Eu moro sozinho. Tenho um apartamento ali no centro da cidade. É pequeno, mas cabe para duas pessoas.
- Claro.
- Você se importa de ir andando? É aqui pertinho, mas se quiser eu te carrego. Faço esse graande esforço.
- Calma, se eu desmaiar já sei que você vai estar aqui.

domingo, 29 de junho de 2014

Deep in Soul

Capítulo 4
14 de Julho - Sábado

Cheguei em casa feliz da vida. Apesar de todos já estarem dormindo, eu tinha vontade de gritar de felicidade! Mas claro, se eu gritasse eu ia me ferrar feio. Deitei na cama mais feliz impossível e dormi igual a um anjo.
Acordei com a luz do sol entrando no meu quarto. Eu tinha esquecido de fechar a janela ante de dormir. Olhei o relógio: 09:45!
Eu tinha 5 minutos pra ficar pronta, pois levava 10 minutos para ir a pé até o Rose Coffee! Escovei os dentes, troquei de roupa e ajeitei o meu cabelo. Passei um pouco de gloss para não ficar com uma cara pálida. Desci as escadas e vi que todos já tinham saído. Meu irmão deve ter ido para o jogo de Futebol que ele tinha e o meu pai foi assisti-lo.
- Bom dia para você também, viu?
- Ah, oi mãe.
- Você não vai tomar café?
- Ah. Não precisa mãe eu já to indo.
- Aonde?
-Só vou no Rose Coffee!
- Poxa, eu queria tomar café-da-manhã com você filha.
- Ah mãe, a gente pode almoçar juntas.
Neste momento o celular da minha mãe vibrou. Ela olhou-o, olhou para mim e repousou o celular na bancada.
- Seu pai acabou de me mandar uma mensagem. O seu irmão passou para a final do jogo de futebol, eles vão viajar para a cidade vizinha para jogar lá. Parece que o organizador do jogo já deixou tudo pago, então eles vão direto para o hotel de lá.
- Ok. Mãe eu realmente preciso ir.
Dito isso fui em direção da porta, mas minha mãe me parou.
- Marilyn por favor...
- Nos vemos no almoço, ok?
- Filha...
- Podemos ir à algum restaurante legal, mas agora por favor, eu tenho mesmo que ir.
- Tchau filha! Vá com cuidado, eu te amo.
- Tchau mãe.
De novo aquelas palavras. Era como se ela nunca mais fosse me ver. Bom, eu estava atrasada. Faltavam 7 minutos para as 10:00, então fui meio andando bem rápido.
Cheguei no Rose Coffee e vi que Chandler já estava lá. Andei em sua direção, ele me viu e se levantou.
- Oi Mary.
E me deu um beijo.
- Oi Chandler.
- Está tudo bem? Você parece triste.
- Não, não. Ta tudo ótimo.
O garçom chegou e nos entregou os cardápios. Quando ele voltou eu pedi um muffin de baunilha e um mocca. Chandler pediu um sanduíche de frango e um café expresso. Ficamos conversando até chegar o nosso pedido. Quando eu ia dar uma deliciosa mordida no meu muffin, uma menina de mais ou menos a minha idade, de cabelos lisos e negros, branca como a neve, alta e magra chegou perto de mim e do Chandler. Ele se levantou indo na direção do banheiro, mas a menina o parou.
-Chandler querido!- e lhe deu um abraço. Chandler não retribuiu o abraço.- Que saudade! Ai meu amor, estou com saudade, não te vejo desde quinta! Ah! Desculpe interromper o seu café. Que legal que você trouxe sua irmãzinha! Não conhecia ela!
Eu limpei a garganta bem alto, como um barulho "chanrram".
- Com licença, mas quem é você?
A menina me olhou com desdém.
- Sou Aline Frenhallow, a namorada do Chandler, é claro.


sexta-feira, 6 de junho de 2014

Deep in Soul

Capítulo 3
13 de Julho - Sexta-feira
Ele estava com mais dois meninos com ele. Pedi licença para Emily e fui para a bancada de comidas e bebidas. Não que eu não queria falar com ele, mas sou muito envergonhada para isso. Me servi de Doritos e bebi um pouco de Coca-Cola. Senti alguém atrás de mim, me virei e vi o Chandler.
- Não sabia que a iria ver aqui Marilyn.
- Também não sabia que iria vê-lo aqui, Chandler. Você veio com quem?
- Minha prima, Clary, está organizando o piquenique. Vim com meu irmão Alexander - apontando para o mais menino mais alto. - e meu amigo Joshua - apontando para o mais baixo de cabelos escuros como carvão.
- Primo da Clary?
- Sim. Você a conhece?
- Digamos que sim.
- O que quer dizer com isso?
- Bom, ela é nada mais, nada menos que minha melhor amiga.
- Ah. Então quer dizer que além de linda e simpática, senhorita Marilyn é a melhor amiga da minha priminha?
Meu rosto ficou ruborizado.
- Por que a chama de priminha?
- Oras, pois ela só tem 13 anos!
- Qual o problema disso? Daqui a duas semanas ela faz 14. Se fica se achando tãão mais velho assim senhor Chandler, quantos anos tem?
- 15. E você sabichona?
- Tenho 14.
Ficamos em silêncio por um tempo. Eu vi que Clary estava conversando animadamente com Joshua. Os dois estavam rindo muito. E Emily estava conversando com Alexander em outro canto.
- Acho que todas as suas amigas estão ocupadas agora. - disse Chandler - O que acha de irmos para o piér?
Fiz que sim com a cabeça, Chandler pegou um dos sacos de Doritos e eu peguei dois copos de Coca-Cola. Ele foi me conduzindo até o piér. O piér não era tão longe da área do piquenique. Era perto da margem do lago, que era iluminado pela lua cheia. Nos sentamos no chão, ele colocou o pacote de Doritos no chão à sua frente e pegou um dos copos de refri de minha mão. Levantou suavemente o copo que estava em sua mão em minha direção.
- Um brinde à Marilyn, a garota mais interesante e divertida de Rosevelt Village!
Eu ri. Estendi o copo na direção dele e fizemos um brinde.
- Já volto.
- Ta bom.
Ele saiu e fiquei com medo que me fizesse de boba e me deixasse ali. Pensei isso por um tempo mas depois fiquei mais tranquila pois o vi chegando. Ele estava com dois tipos de luzinhas nas mãos. Quando se aproximou foi que eu consegui ver o que realmente era. Duas lanterninhas de papel por fora em forma de cilindro. Parecia com aquelas lanterninhas de um filme que eu tinha visto quando era pequena, Enrolados, só que era menorzinha mais ou menos de uns 10 cm.
- A Emily estava distribuindo essas lanterninhas. - ele me entregou uma.
- É lindo.
Quando percebemos, todas as pessoas estavam ao redor do lago colocando suas lanternas na água, que flutuavam. Chandler me olhou como se dissesse "vamos?", e eu assenti com a cabeça. Colocamos as lanterninhas na água e antes de soltarmos no lago ele disse:
- Faça um desejo.
Soltamos juntos as lanterninhas e eu fechei os olhos. Abri-os e o rosto de Chandler estava extremamente perto do meu. Ficamos com os nossos rostos encostados durante alguns segundos e de repentes senti seus lábios selarem nos meus. Era um beijo delicado, calmo. Desencostei nossos rostos. Eu estava com as bochechas com cor de tomate de tão vermelhas.
Depois disso ficamos conversando muito. Até que as pessoas foram começando a ir embora. Eu saberia que daqui a pouco Alexander e Joshua iriam chamá-lo para ir embora.
- Acho que já vou arrumando minhas coisas, já estão todos indo embora...- fui me levantando.
- Que pena. Podíamos marcar de nos encontrar amanha no Rose Coffee? - ele se levantou também.
- Claro. Pode ser às 10:00?
- Sim. Então até amanha Marilyn.
Dito isso ele me beijou. Foi um beijo bem intenso para um beijo de despedida, mas quem liga?
Ele se afastou de mim e fez um tchau com a mão.
E eu fiquei lá, parada, com aquele olhar de peixe morto. Decididamente e completamente apaixonada por aquele anjo que tinha surgido em minha frente.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Deep in Soul

Capítulo 2:
13 de Julho - Sexta-feira

Acordei tarde. Eram umas 11:00 da manhã quando olhei o relógio.
Desci as escadas já vestida, para tomar café da manhã. Quando cheguei na cozinha só avistei minha mãe.
- Ué. Onde estão todos?
- Seu pai está trabalhando. - disse mamãe enquanto colocava as louças sujas na máquina de lavar louças.- E seu irmão foi para o treino de Futebol.
- Que dia é hoje?
- Hoje é sexta, querida.
- Ah não!
- O que?
- Esqueci completamente que hoje eu tenho um piquenique!
- Vai ser que horas?
- Às 18:00.
- Você tem tempo até lá.
-Eu sei. É que ainda tenho que comprar algumas comidas e organizar as minhas lanternas japonesas.
- Ok. - disse mamãe com aquela cara de que teve uma ideia. - Você mocinha, vai tomar um café-da-manhã bem reforçado enquanto eu vou tentar achar suas lanternas no meio daquela bagunça. Aí, depois você pode ir ali na padaria da esquina comprar uns salgados e etc.
- Mãe você é brilhante! - dei um beijo em sua testa. - Muito obrigada.
Comi meu café e quando fui escovar meus dentes e pegar dinheiro para ir à padaria, vi minha mãe sentada na ponta de minha cama, agora já arrumada, com uma cara chocada. Ela estava olhando diretamente para a minha mesa de estudo que fica de frente para a minha cama.
- Mãe?
Ela desviou os olhos de minha mesa para mim, saindo de uma espécie de transe.
- Sim querida?
- Está tudo bem?
- Claro que está, porque não estaria? - ela me olhou sorrindo nervosamente.
-Ok então.
Fui para o banheiro, escovei meus dentes, peguei o dinheiro e desci as escadas.
Quando estava quase na porta minha mãe gritou da cozinha:
- Tome cuidado! Tchau.
- Tchau! - gritei de volta.
No caminho da padaria, fiquei pensando porque minha mãe teria me dito aquilo? Eu caminhava sozinha no bairro desde os 11 anos e quando completei 12 anos ela só me dizia tchau. Ela nunca disse "tome cuidado"recentemente. Será que aquilo teria alguma coisa em relação ao meu sonho? Eu perguntaria para ela quando chegaria em casa. Mas será que eu deveria?
- Cuidado!
Despertei dos meus pensamentos. Eu estava tão distraída que não percebi que tinha tropeçado e agora estava caindo no chão. Braços masculinos não deixaram eu atingir o chão. Me levantei sozinha, e quando olhei para minha frente um menino de mais ou menos a minha idade 14 ou 15 anos, bronzeado de olhos verdes, covinhas no canto da boca e um cabelo castanho meio despenteado, estava me encarando com um olhar preocupado.
- Você está bem?
- Sim. Se não fosse por você eu teria me esborrachado no chão. - Ele deu uma risadinha, e as covinhas apareceram em seus cantos da boca. - Muito obrigada...?
- Chandler, e você é...?
-Sou Marilyn. - disse cumprimentando ele - Prazer.
- Já vou indo. Cuidado da próxima vez, Marilyn. Nem sempre vai ter alguém aqui para te segurar.
Eu dei uma risada.
- Tchau Chandler.
Cheguei à padaria. Comprei uns quatro pacotes 'Big Size' de salgadinhos e duas garrafas de refri. Nosso sistema de moeda era o dólar. Era estranho o único lugar na Inglaterra que não se usava euro.
- 35 dólares. - disse a balconista.
Paguei e fui embora. Quando cheguei em casa coloquei as lanternas japonesas em uma sacola, vesti uma calça jeans, uma camiseta de manga comprida, um moletom bem quente e minhas botas de inverno. Desci com todas as coisas que teria que levar para o piquenique. 17:45, dava tempo até eu ir para a casa de Clary. Quando passei pela sala vi minha mãe dormindo no sofá. Escrevi um bilhete à ela avisando que eu tinha saído e lhe cobri com uma manta.
Caminhei até a casa de Clary. Quando cheguei lá, ela me avisou que quem nos levaria seria a irmã dela, pois dirigia. Pegamos tudo e entramos no carro. Emily, a irmã de Clary disse que quando quiséssemos ir embora era para ligar para ela, pois estaria à disposição.
Fomos as primeiras a chegar no parque, e como éramos eu e Clary que estavam organizando o piquenique, começamos a arrumar o local. Enquanto Clary estava arrumando as comidas e bebidas em uma mesa coberta, eu fui pendurando as lanterninhas ali perto. Prendia uma ponta da linha de fios em uma árvore e a outra ponta em outra árvore, estava lindo! Quando terminei de arrumar as lanternas já tinha ficado escuro, bem na hora. Aos poucos foram chegando gente. Colocavam seus futons ou cobertores no chão e se sentavam, se serviam de comida. Estava falando com Elizabeth, uma amiga minha, quando avistei um rosto bronzeado de olhos verdes, covinhas no canto da boca e um cabelo castanho meio despenteado. Era ele.

domingo, 18 de maio de 2014

Deep in Soul

Capitulo 1:
12 de Julho - Quinta-feira
Estava andando pelo bairro, voltando para minha casa depois de deixar a casa de Clary, minha melhor amiga. Eu estava um pouco entediada, pois em Rosevelt Village não acontecia muita coisa interessante. Você deve estar se perguntando: Quem é essa pessoa e que diabos é Roosevelt Village? Bom, meu nome é Marilyn Brookstod, tenho este nome pois minha mãe admirava muito Marilyn Monroe, por isso me deu este nome. Eu o acho bonito, mas não tenho certeza se combina comigo. Moro em Rosevelt Village uma cidadezinha na Inglaterra, bem distante. Ela tem muitos poucos habitantes cerca de uns 14 mil. Seu nome foi escolhido como Rosevelt Village, pois um nobre homem da França veio para nossas terras e lhe fez de seu refúgio, (como uma casa de campo, só que uma cidade) ele a batizou de Rosevelt Village pois quando chegou aqui mandou todos os seus empregados plantarem rosas de todas as cores e quando elas cresceram a cidade tinha virado um vale de rosas. O nobre homem se chamava Francis Amadeus Velt e pôs o nome em sua homenagem: Rosevelt Village. Como ninguém habitava esta ragião ainda ele trouxe um pequeno grupo de pessoas da França para se instalar aqui, mas com o tempo outras pessoas chegaram da Inglaterra e começaram a habitar a região. Por isso, nossos idiomas são Inglês (britânico) e Francês. Continuando, Rosevelt Village estava uma chatice, como é uma cidade pequena todo mundo conhece todo mundo, tem seus hábitos diários e blá, blá, blá. Eu queria alguma coisa diferente, novidades! Estou pensando em escrever um livro, pintar um quadro, fazer um site de vídeos. É tanta coisa! Estou de férias no momento, minhas aulas só começam em Setembro e estamos em Julho ainda. Por mais que eu goste de não ter tarefa, trabalhos e ter que acordar cedo para ir para a escola, odeio ficar sem nada para fazer. Por isso resolvi ir na casa de Clary. Combinamos de fazer um piquenique no parque amanhã com alguns amigos da escola e espero que alguém tenha novidades.
Quando cheguei em casa, onde moro com minha mãe, meu pai e meu irmão mais velho Anthony, quase não havia barulho, estava uma casa tranquila, gostosa de morar. Fui para a cozinha fiz um chocolate quente, pois estava no inverno em Rosevelt Village e eu estava congelando, peguei o meu livro e fui para a varanda. A varanda em minha casa tem uma cerca branca de madeira, uma rede pendurada e uma velha cadeira de balanço com almofadas aconchegantes. Me sentei e comecei a ler. Li, li , li e acabei pegando no sono. Só sei que quando minha mãe me acordou o céu já estava escuro.
- Mãe que horas são?
- Oito horas da noite filha. Você dormiu por três horas!
Meu estômago roncou alto.
- A propósito, - disse mamãe olhando para mim - o jantar está servido.
Me ajeitei e fui para a mesa. Mamãe tinha preparado o meu preferido: fettuccini com molho branco-parisiense, ervilhas e peito de peru picado. Minha mãe tinha origem francesa, por isso adorava fazer pratos de seu país étnico. Meu pai tinha origem inglesa, ele estava quase o tempo inteiro fora , pois ao contrário de mim, suas férias duravam apenas um mês: Maio. Meu irmão, Anthony é 6 anos mais velho que eu. Ele tem 20 anos e está frequentando a URV Universidade de Rosevelt Village.
Depois do jantar, fui para o meu quarto verificar meu e-mails e vi que Clary tinha me mandado um:

Enviado por: claryolssein@mail.com
Horário: 18:00 - 12 de Julho, 2014
Assunto: Piquenique
Mary,
Está tudo certo sobre o piquenique amanhã, todos vão e se você quiser convidar mais alguém fique à vontade. Só não esqueça das lanterninhas japonesas que você tem que trazer! Espero você amanhã.
Clary.

Quem será eu convidaria? Acho que já estava louco de bom de pessoas para ir no nosso piquenique. Demorei para dormir e quando peguei no sono, tive um sonho muito estranho. Eu estava em minha casa, mas minha mãe ainda estava grávida de Anthony, ou seja, eu não existia. Um homem estava falando com ela no balcão da cozinha. Ele estava encapuzado de um jeito que ninguém conseguia vê-lo.
- Você tem que escolher Beatrice. Não pode se esconder para sempre. Mais cedo ou mais tarde, as pessoas descobrirão.
- Eu sei, eu sei. - minha mãe estava nervosa.
- Você pelo menos contou ao John?- ele estava falando de meu pai.
- Vou dizer. Só preciso de mais tempo.
- Seu tempo está acabando Beatrice. Nunca é tarde para voltar para Elibane. Pense nisso.
O homem foi embora batendo a porta.
Acordei suando. Quem era aquele sujeito? O quê ou quem era Elibane?
Olhei o relógio. 4:30 da manhã. Tentei voltar a dormir ainda com aquelas perguntas na cabeça.