Capítulo 2:
13 de Julho - Sexta-feira
Acordei tarde. Eram umas 11:00 da manhã quando olhei o relógio.
Desci as escadas já vestida, para tomar café da manhã. Quando cheguei na cozinha só avistei minha mãe.
- Ué. Onde estão todos?
- Seu pai está trabalhando. - disse mamãe enquanto colocava as louças sujas na máquina de lavar louças.- E seu irmão foi para o treino de Futebol.
- Que dia é hoje?
- Hoje é sexta, querida.
- Ah não!
- O que?
- Esqueci completamente que hoje eu tenho um piquenique!
- Vai ser que horas?
- Às 18:00.
- Você tem tempo até lá.
-Eu sei. É que ainda tenho que comprar algumas comidas e organizar as minhas lanternas japonesas.
- Ok. - disse mamãe com aquela cara de que teve uma ideia. - Você mocinha, vai tomar um café-da-manhã bem reforçado enquanto eu vou tentar achar suas lanternas no meio daquela bagunça. Aí, depois você pode ir ali na padaria da esquina comprar uns salgados e etc.
- Mãe você é brilhante! - dei um beijo em sua testa. - Muito obrigada.
Comi meu café e quando fui escovar meus dentes e pegar dinheiro para ir à padaria, vi minha mãe sentada na ponta de minha cama, agora já arrumada, com uma cara chocada. Ela estava olhando diretamente para a minha mesa de estudo que fica de frente para a minha cama.
- Mãe?
Ela desviou os olhos de minha mesa para mim, saindo de uma espécie de transe.
- Sim querida?
- Está tudo bem?
- Claro que está, porque não estaria? - ela me olhou sorrindo nervosamente.
-Ok então.
Fui para o banheiro, escovei meus dentes, peguei o dinheiro e desci as escadas.
Quando estava quase na porta minha mãe gritou da cozinha:
- Tome cuidado! Tchau.
- Tchau! - gritei de volta.
No caminho da padaria, fiquei pensando porque minha mãe teria me dito aquilo? Eu caminhava sozinha no bairro desde os 11 anos e quando completei 12 anos ela só me dizia tchau. Ela nunca disse "tome cuidado"recentemente. Será que aquilo teria alguma coisa em relação ao meu sonho? Eu perguntaria para ela quando chegaria em casa. Mas será que eu deveria?
- Cuidado!
Despertei dos meus pensamentos. Eu estava tão distraída que não percebi que tinha tropeçado e agora estava caindo no chão. Braços masculinos não deixaram eu atingir o chão. Me levantei sozinha, e quando olhei para minha frente um menino de mais ou menos a minha idade 14 ou 15 anos, bronzeado de olhos verdes, covinhas no canto da boca e um cabelo castanho meio despenteado, estava me encarando com um olhar preocupado.
- Você está bem?
- Sim. Se não fosse por você eu teria me esborrachado no chão. - Ele deu uma risadinha, e as covinhas apareceram em seus cantos da boca. - Muito obrigada...?
- Chandler, e você é...?
-Sou Marilyn. - disse cumprimentando ele - Prazer.
- Já vou indo. Cuidado da próxima vez, Marilyn. Nem sempre vai ter alguém aqui para te segurar.
Eu dei uma risada.
- Tchau Chandler.
Cheguei à padaria. Comprei uns quatro pacotes 'Big Size' de salgadinhos e duas garrafas de refri. Nosso sistema de moeda era o dólar. Era estranho o único lugar na Inglaterra que não se usava euro.
- 35 dólares. - disse a balconista.
Paguei e fui embora. Quando cheguei em casa coloquei as lanternas japonesas em uma sacola, vesti uma calça jeans, uma camiseta de manga comprida, um moletom bem quente e minhas botas de inverno. Desci com todas as coisas que teria que levar para o piquenique. 17:45, dava tempo até eu ir para a casa de Clary. Quando passei pela sala vi minha mãe dormindo no sofá. Escrevi um bilhete à ela avisando que eu tinha saído e lhe cobri com uma manta.
Caminhei até a casa de Clary. Quando cheguei lá, ela me avisou que quem nos levaria seria a irmã dela, pois dirigia. Pegamos tudo e entramos no carro. Emily, a irmã de Clary disse que quando quiséssemos ir embora era para ligar para ela, pois estaria à disposição.
Fomos as primeiras a chegar no parque, e como éramos eu e Clary que estavam organizando o piquenique, começamos a arrumar o local. Enquanto Clary estava arrumando as comidas e bebidas em uma mesa coberta, eu fui pendurando as lanterninhas ali perto. Prendia uma ponta da linha de fios em uma árvore e a outra ponta em outra árvore, estava lindo! Quando terminei de arrumar as lanternas já tinha ficado escuro, bem na hora. Aos poucos foram chegando gente. Colocavam seus futons ou cobertores no chão e se sentavam, se serviam de comida. Estava falando com Elizabeth, uma amiga minha, quando avistei um rosto bronzeado de olhos verdes, covinhas no canto da boca e um cabelo castanho meio despenteado. Era ele.
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